Uma emissora de televisão do Reino Unido, a Channel 4 News, e divulgou ontem na internet uma reportagem que mostrou para todo público europeu como traficantes de favelas do Rio de Janeiro estão se preparando para “faturar alto” com a venda de drogas durante a Copa do Mundo do Brasil, que segundo a emissora de televisão, deve receber a visita de aproximadamente cinco mil britânicos.
Na reportagem de sete minutos, o jornalista Guillermo Galdós entrevista traficantes e mostra a preparação da cocaína e da maconha que serão vendidas para turistas nacionais e estrangeiros que irão ao estado para assistirem aos jogos, a partir do mês de junho.
Enquanto mistura fermento em pó e porções de adrenalina à cocaína pura, um traficante diz ao jornalista que espera vender cocaína, “a papos de quilos por dia, se Deus ajudar”.
E que só o grupo entrevistado comercializa diariamente dois quilos de cocaína, quantidade que esperam dobrar durante a Copa. Imagens mostram o ritmo frenético do trabalho de preparação da droga, que além de atender o dia a dia do tráfico, também será destinada ao estoque que atenderá aos turistas.
A matéria ainda insinua que “há dois lados” de um mesmo Rio de Janeiro, um que a propaganda do Governo quer mostrar ao mundo, de pacificação de favelas e controle da criminalidade e outro, que corresponde “à realidade”, em que o tráfico permanece atuante e a pleno vapor.
O jornalista diz que “sob o nariz da polícia” existe uma “multimilionária fábrica de drogas” funcionando na cidade carioca e protegida pelo que ele chama “um exército particular” fortemente armado, “prontos para lutar por uma fatia da riqueza da Copa do Mundo”. Enquanto narra, imagens mostram traficantes segurando armas de uso restrito e comunicando-se através de rádio sobre movimento de pessoas estranhas na favela.
CONTRAPARTIDA
Na segunda-feira passada a Polícia Federal divulgou nota onde comemora o recorde de apreensão de drogas no país, durante o ano passado.
De acordo com nota da PF, em 2013, só a instituição apreendeu mais de 256 toneladas de drogas, sendo 35,7 toneladas de cocaína e 220,7 toneladas de maconha. E se somadas às apreensões de todas as polícias do país o número é, certamente, muito maior.
Contudo, a quantidade de drogas que estão sendo preparadas e estocadas nas favelas cariocas mostra que apesar do crescimento das apreensões de drogas na região de fronteira, elas continuam chegando aos traficantes em quantidade suficiente para atender a demanda atual e, ainda, para serem estocadas para suprir o crescimento dela durante a Copa do Mundo do Brasil.
O jornalista finaliza tranquilizando os telespectadores, dizendo que o número de homicídios, de fato, caiu nas favelas pacificadas, e transmitindo a garantia dada pelo traficante entrevistado de que o tráfico “não vai mexer com os gringo, que vão poder ver a Copa do Mundo tranquilão”.
Fonte: IG, Uol


